Número de falências aumentou sete por cento no primeiro trimestre

O valor apurado pelo departamento de administração de riscos da companhia Crédito y Caucion é o mais alto de uma série de 10 trimestres e representa um aumento de 7 por cento face ao período Outubro/Dezembro do ano passado.

Realizado a partir de uma análise dos processos de insolvência que são publicados em Diário da República, o trabalho realizado pela Crédito y Caucion mostra que o anterior máximo tinha sido alcançado no segundo trimestre de 2009, quando deram entrada em tribunal 1334 processos de insolvência.

“Se à evolução deste indicador juntarmos as últimas notícias relativas ao rating atribuído a Portugal, confirmamos as incertezas que já tínhamos relativamente à situação económica portuguesa e podemos concluir que o fim da crise está mais longe do que anteriormente previsto”, afirma Paulo Morais, director da companhia para Portugal e Brasil.

O sector onde há um maior registo de processos é o dos serviços – 321, o que representa um aumento líquido de 13 por cento face ao trimestre anterior. Seguem-se o sector da construção – actualmente a viver uma crise profunda -, com 155 processos colocados em tribunal (+12 por cento), e o têxtil, que fica perto da centena de processos de insolvência iniciados por via judicial (um aumento de 7 por cento face ao período precedente).

A Crédito y Caucion destaca também os dados relativos a outros sectores estratégicos, como o das máquinas e ferramentas, que evidencia um crescimento de 54 por cento no número de processos de insolvência. Este valor pode indiciar que as empresas, com receio de prolongamento da crise, estão a investir menos em equipamentos ligados à produção. No sector da distribuição, há igualmente um crescimento significativo de falências (30 por cento), com 60 processos a darem entrada em tribunal.

O agravamento do quadro não é, todavia, extensivo a todos os 17 sectores em que a Crédito divide a sua análise. A indústria de peles e curtumes, por exemplo, apresenta uma redução do número de falências em 24 por cento e o sector químico de 13 por cento. A área do automóvel, com 21 processos iniciados, manteve-se estável face ao último trimestre de 2009.

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