Os primeiros passos na Web

Por: Carlos Gandra

Não é difícil criar um site. Tens à distância de alguns cliques um conjunto de ferramentas e guias práticos que permitem explorar o que de melhor a web tem para te oferecer. Se o teu site vai ser bom, se vai ser um sucesso e uma referência dentro do tema, já depende do contrário: o que tens tu para oferecer à web. Que é como quem diz aos seus utilizadores, eu, tu e milhões de outros!

Antes de mais, define aquilo que queres fazer. Não te aventures num site sobre motas, se não és particularmente entendido nesse assunto. Mesmo que reúnas algumas informações sobre motas, um leitor mais atento e conhecedor da matéria, rapidamente se vai aperceber que não “sabes do que falas”. Além disso, não estarias a contribuir com conteúdo de qualidade para a web, pois além de não dominares o assunto, podes inclusive estar a partilhar informações erradas – não queremos isso certo?

Portanto, vamos supor que tens um interesse especial pelo surf e gostavas de criar um projecto sobre isso. Que vais fazer?

1. Um espaço pessoal
Se és praticante e gostas de partilhar as tuas experiências, resultados ou fotografias tuas em acção, um blog pessoal é a solução. Nele, tudo é feito ao teu gosto e tendo em foco o que queres exactamente partilhar e porquê. Se o mantiveres bem actualizado e fores divulgando esta tua página, podes criar à tua volta um conjunto de leitores que estão interessados em acompanhar as tuas aventuras e a tua carreira neste desporto. O blog pessoal não segue muitas regras, na verdade, segue as tuas. Se está ao teu gosto, está bem feito, porque é o resultado daquilo que querias fazer e tinhas em mente.

2. Um espaço informativo
Partilhar a tua carreira pode não ser exactamente o que pretendes. Podes querer focar-te mais no surf em si do que a tua actividade no mesmo. Nesse caso, podes criar um site informativo onde escrevas alguns artigos relacionados com o surf, que possam ser úteis a outros entusiastas e/ou futuros praticantes. Por exemplo, como começar? Que dicas achas pertinentes para um praticante que se esteja a iniciar e portanto tenha pouca experiência? Através de bons conteúdos podes criar um portal informativo de muito valor!

3. Um espaço comunitário
Seja através de um blog ou de um fórum, podes criar uma comunidade sobre surf. A grande diferença para os 2 anteriores, é que aqui deixas de ser o único ou o maior responsável pelo conteúdo: és parte integrante de um conjunto de entusiastas que, cada um deles, partilha os seus conhecimentos, as suas opiniões e debate activamente os assuntos em discussão. Todas as comunidades são experiências sociais novas, tendo como expoente máximo o facto de conheceres novas pessoas com gostos e actividades semelhantes, interagires com elas em tempo real, partilhares a tua visão e analisar outros pontos de vista que podem ser igualmente interessantes e se calhar nem tinhas pensado neles. Como criar comunidades online?

4. Um espaço profissional
O teu papel no surf não tem que ser de entusiasta e praticante. Podes ter uma loja / empresa dedicada à venda de equipamento e acessórios para o surf! A utilização da web para promover e vender produtos pode ser uma grande mais valia, sobretudo se feito de uma forma rigorosa e inteligente. Apesar de não querer focar muito neste artigo os aspectos mais profissionais e de mercado da web, podes começar por fazer o seguinte raciocínio: se metes um anúncio num jornal, numa revista generalista ou na TV, pagas uma pequena fortuna (em especial no último caso) e vais divulgar produtos de surf a um universo grande e de certa forma desinteressante, pois muitas dessas pessoas não querem saber do surf para nada. Por outro lado, se anuncias num site dedicado a este desporto, estás a mostrar produtos exactamente a quem os procura e precisa deles – publicidade contextual – por um preço reduzido em comparação com as restantes opções. Interessante não é?

Passemos então à próxima etapa: criar um site.
O que precisas para criar um site:

* Um domínio próprio;
* Um (bom) alojamento web;
* Um CMS adequado;
* Empenho (a chave do sucesso).

Domínio próprio – a identidade do teu projecto!

Quando navegas na Internet reparas com certeza nos endereços dos sites, em especial nas suas repetitivas terminações. A grande maioria termina em .com, .net e também .org. Isto são, em grosso modo, domínios. E tu precisas de um domínio. Porquê?

Os domínios não são apenas aquilo que permite a uma pessoa entrar no teu site. São, sim, aquilo que identificam o teu site! Quando queres aceder ao Facebook, já sabes de antemão que tens de escrever facebook.com. Associas este domínio ao Facebook e sempre que entrares nesse endereço, só podes entrar no Facebook, pois trata-se de um domínio próprio e exclusivo dessa rede social. Se os sites não tivessem um domínio próprio e exclusivo, já imaginaste a confusão que era, o facebook.com deixar de ser o Facebook e o sapo.pt deixar de ser o Sapo?

Esta é a importância de ter um domínio próprio e que este seja bom – hm, o que é um bom domínio?

Para começar, deves escolher uma extensão de topo: .com, .net ou .org; por esta ordem (se não houver o .com livre pesquisa pelo .net e assim por diante). Caso pretendas criar um site profissional e com marca registada em Portugal, então o .pt será a melhor escolha (que, de resto, só podes mesmo possuir se tiveres a marca registada – mais informações). Depois da extensão escolhida, o nome. Tu queres que as pessoas associem e identifiquem o teu site (e que o divulguem claro!), por isso procura registar um nome que seja memorizável, ou seja, de preferência curto, sem hifens ou outros caracteres não essenciais. Exemplificando, tu queres o meusite.com e não o este-e-o-meu-site42.com – que trapalhada não é?

Evita domínios gratuitos e subdomínios ligados a outrem, pois não tens o total controlo sobre eles – tão depressa te são dados como te são tirados. O custo de um domínio próprio e de topo, .com, .net ou .org, fica entre os 8€ e os 10€ por ano actualmente. Tendo em conta tudo aquilo que ele te pode valer, é praticamente oferecido, por isso, não corras riscos desnecessários nem apostes num domínio sem futuro.

A maior dificuldade aqui pode ser, então, o nome que queremos já ter sido registado por outra pessoa. É algo aborrecido quando descobrimos isso, mas o mundo está longe de acabar: 1) podes escolher outro nome 2) se não admitires mais nenhum nome e tiveres conforto financeiro, podes contactar o dono desse domínio e propor a compra do mesmo. Se o domínio não estiver a ser utilizado, as tuas possibilidades de sucesso serão maiores. Toma atenção que domínios muito curtos de palavras chave são também muito caros, como deves ter ouvido falar do caso do sex.com que estava em leilão por muitos dígitos. Vais aprendendo o muito ou pouco valor que um domínio pode ter, à medida que fores observando e analisando o mundo virtual que te rodeia.

A compra de um domínio pode ser feita em conjunto com a compra do alojamento web, que vamos falar já a seguir.
Alojamento Web – o espaço do teu site!

De um modo muito simples, o teu site precisa de estar alojado algures para ser acedido na Internet. Este algures é um servidor – um computador com características específicas para servir o teu site aos visitantes. Num mundo perfeito, qualquer que fosse o servidor que escolhesses, alojava perfeitamente o teu site e disponibilizava-o sem interrupções aos teus leitores e visitantes. No mundo real, este é um assunto que requer mais alguma atenção. Se escolheres um mau servidor, podes ter uma experiência frustrante, como o site lento, por vezes inacessível ou até desligado de vez, se a “empresa” decidir fechar portas do dia para a noite.

Para não correres estes riscos desnecessários, tenta guiar-te pelo seguinte antes de comprar:

1 – Escolhe empresas e não pseudo-empresas.
Quando se trata de uma empresa, isso significa que há uma estrutura, há investimento e há um projecto sério. Dá-te muito mais segurança do que alguém que compra uma revenda e começa a vender alojamentos em máquinas que nem são suas.

2 – Avalia o feedback
Olha menos para o espaço em disco, o tráfego ou o preço. O mais importante de tudo é a opinião dos clientes. É esse feedback que te vai mostrar se as pessoas estão contentes ou descontentes com o alojamento e daí podes tirar uma ideia do valor do serviço prestado.

3 – Fala com a empresa
Uma boa empresa de alojamento tem várias formas de contacto e bem visíveis. Contacta-os, expõe o que pretendes e avalia a qualidade e o tempo da resposta. A qualidade da resposta vai revelar os conhecimentos e o profissionalismo de quem está na empresa. A rapidez mostra-te, em caso de futuros problemas, se vais esperar muito ou pouco pelo suporte e respectiva resolução.

Para último é mesmo o que muitas pessoas acham mais importante: escolher as características. Tu não precisas de não sei quantos gigabytes de disco quando provavelmente só vais usar 200 ou 300 megabytes. Na verdade 100 megabytes de disco dão-te para montar um site ou um blog que tenha poucas imagens. 500 megabytes de disco chegam perfeitamente para começares e teres flexibilidade para os primeiros tempos. Mais tarde se o teu projecto crescer e vires que precisas de mais, é só contactar a empresa, alugares mais espaço e/ou mais tráfego e pagares a diferença.

Nós aqui no Mais Tráfego vamos dar-te uma ajuda nesta escolha: criamos uma secção de empresas de alojamento web seleccionadas, ou seja, só apresentamos aquelas que cumprem os requisitos que consideramos essenciais para prestarem um serviço de qualidade e com segurança. Podes consultar essas empresas bem como o feedback dos clientes às mesmas visitando esta página.

CMS – o software para gerires o teu site!

Correndo o risco e de certa forma o prazer de poder gerar alguma controvérsia, há duas mensagens que quero passar aqui: 1) não tens que ser um expert em N linguagens web para criares um site e 2) não há necessidade nenhuma de reinventar a roda. Existem actualmente vários softwares (ainda por cima gratuitos), que te permitem partir para a elaboração do site já com uma base montada, de gestão de conteúdos e do próprio layout. Esquece o Dreamweaver, bem como todos os WYSIWYG (What You See Is What You Get) que te montam sites difíceis de fazer e que resultam em sites de html básico da década de 90. Hoje em dia as coisas são melhores e mais simples.

Os CMS (Content Management Systems, em português Sistemas de Gestão de Conteúdos) apresentam-se em diversas formas e tendo como destino diversos tipos de exigências e público-alvo. São relativamente fáceis de instalar, apresentam uma boa performance e permitem que a partir deles se elaborem alguns dos maiores sites do mundo. Só para dar um exemplo, estás a ler este artigo num site montado sobre um CMS (WordPress), cujo fórum é também um CMS (SMF).

De seguida deixo uma breve introdução àqueles que são os 3 CMS que te poderão ser mais úteis na criação de um site. Todos estes são gratuitos.

1 – WordPress
Se queres criar um blog, esta é de longe a melhor escolha. Simples mas poderoso, vai dar-te tudo o que precisas. As últimas versões, em especial a última mesmo, já elevaram este CMS a outro patamar, sendo perfeito também para portais e até mesmo para fóruns, com extensões adicionais.

2 – Joomla
Não compete directamente com o WordPress, na medida em que foi criado mais para portais e o WordPress mais para blogs, mas também à semelhança do anterior, dá para ambas coisas e também para fóruns. Um pouco menos simples de utilizar mas também com recursos diferentes e outras opções.

3 – SMF
É o CMS gratuito ideal para criação de fóruns, com um nível de segurança de topo e, mesmo sem modificações ou expansões, já carrega uma lista de funcionalidades de impor respeito e assumir a liderança no seu meio.

Se o teu alojamento web tiver incluído o Installatron (ou outro software do género), podes instalar qualquer um destes 3 ou muitos outros CMS com poucos cliques. A partir do momento que os instalas, começas a vasculhar todas as opções e a criar – eliminar – recriar – eliminar conteúdos até entenderes a 100% como tudo funciona. Enquanto o teu site não é conhecido, podes fazer todas as asneiras, só tu as vais ver e ninguém é afectado.
A importância de teres o controlo

Não me admirava que alguns leitores chegassem a esta parte e perguntassem: então não é muito mais simples criar um blog ou mesmo um fórum gratuito? Bom, a resposta é que sim, é mais simples de facto. Mas (há sempre um mas), a escolha que se impõe aqui à tua pessoa é se queres levar os teus projectos a sério ou se é um mero passatempo. Num serviço gratuito, por muito bom que seja, o (sub)domínio não é teu, a base de dados não é tua e se não for assim tão bom serviço, podes acordar numa bela manhã e não teres site. Algures haverá uma alínea nos termos de uso que justifica isso mesmo ou então simplesmente o serviço fechou portas.

Além disso, se começas por criar o site num serviço gratuito e depois mais tarde percebes que aquilo não te chega e precisas de um domínio e de um alojamento próprios, a mudança, mesmo sendo para melhor, vai criar um impacto negativo no teu site. Por exemplo, os motores de busca indexam as páginas do teu site pelo endereço gratuito, as outras pessoas que têm links para ti apontam para o endereço gratuito e quando mudares, esse endereço gratuito deixa de apontar para ti e tens, basicamente, de reconstruir de novo essa autoridade que já tinhas na web. Conheces certamente a expressão que o barato sai caro – aplica-se aqui. A frustração por uma má experiência em serviços gratuitos pode inclusive levar-te a desistir deste “mundo” e ficares com uma ideia errada da web, tudo isto por, simplesmente, teres feito uma má escolha inicial.

A leitura de alguns guias que encontras facilmente aqui no Mais Tráfego e através do Google, bem como a constante tentativa e erro, serão as tuas aulas de aprendizagem. Quando os dominares…. a grande World Wide Web está à tua espera. Tal como na escrita de um livro, tanto podes começar aos 8 como aos 80, mas não percas a oportunidade de começar hoje mesmo😉

About Carlos Gandra

Carlos Gandra é um autodidacta que tem levado o “hobbie” da Web cada vez mais a sério, fruto da crescente paixão e entusiasmo pelas tecnologias de informação. Mundo dos Animais é o projecto ao qual dedica a maior parte do tempo.

Fonte: http://www.maistrafego.pt/os-primeiros-passos-na-web

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